PROCURA-SE PROFISSIONAIS QUALIFICADOS
Gühring
A falta de profissionais preparados compromete a eficiência operacional e a redução de desperdícios
O Brasil registrou em 2025 a menor taxa média anual de desemprego desde o início da série histórica, em 2012. O índice fechou o ano em 5,6%, segundo o IBGE. Apesar do cenário positivo, a indústria enfrenta um paradoxo: falta mão de obra qualificada.
De acordo com nota técnica recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a escassez de profissionais capacitados tem se intensificado nos últimos anos e já figura entre os principais entraves à competitividade do setor.
Embora a taxa de desocupação tenha atingido 5,1% no trimestre encerrado em dezembro — a menor da série histórica — o mercado ainda apresenta elevado nível de informalidade, com 38% das ocupações sem registro. Soma-se a isso uma mudança no perfil da força de trabalho: pesquisa do Datafolha indica que 59% dos brasileiros preferem atuar como autônomos, percentual que se aproxima de 70% entre jovens de 16 a 24 anos.
Nesse contexto, a dificuldade de encontrar profissionais qualificados ganhou relevância na indústria, especialmente após a pandemia. Segundo a Sondagem Industrial da CNI, o tema saltou de cerca de 5% das menções entre 2015 e 2020 para 23% em 2024, alcançando o maior patamar da série. No levantamento mais recente, aparece como o quarto principal problema do setor, atrás apenas da elevada carga tributária, dos juros altos e da demanda interna insuficiente.
Entre pequenas empresas, o impacto é ainda maior: 28,4% apontam a escassez de mão de obra qualificada como um dos principais obstáculos.
A falta de profissionais preparados compromete ganhos de produtividade, eficiência operacional e redução de desperdícios. Ao mesmo tempo, as empresas enfrentam dificuldades adicionais na capacitação interna, devido às lacunas na formação educacional básica, que dificultam o aprendizado e desestimulam a qualificação.
Outro fator crítico é a velocidade da transformação tecnológica. De acordo com o Mapa do Trabalho Industrial da CNI, três em cada cinco trabalhadores precisarão de treinamento até 2027 para acompanhar as novas demandas produtivas.
Diante desse cenário, iniciativas voltadas à qualificação técnica, atualização profissional e fortalecimento da cultura industrial tornam-se cada vez mais estratégicas para sustentar a competitividade. Em um ambiente produtivo cada vez mais orientado por tecnologia, precisão e eficiência, investir em conhecimento deixou de ser diferencial — passou a ser requisito básico para o crescimento sustentável da indústria brasileira. (fonte: CNI)