INTELIGÊNCIA AMBIENTAL: O NOVO EIXO DA COMPETITIVIDADE INDUSTRIAL
Gühring
A sustentabilidade fortalece a marca, reduz custos operacionais e amplia o acesso a financiamentos
O Brasil vive um momento singular. Pela primeira vez, reúne condições reais para transformar sua vantagem ambiental em liderança econômica global e assumir o papel de maior potência verde do planeta. O país concentra um território vasto, uma matriz energética limpa e um volume de água renovável que supera, sozinho, a soma de Estados Unidos, Índia e China.
A força do agronegócio, capaz de converter água, sol e tecnologia em produtividade e exportação, reforça ainda mais esse potencial. E, como destaca o ex-ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, é o setor de máquinas e equipamentos que viabiliza essa transformação ao levar inovação, eficiência energética e produtividade às cadeias produtivas.
É neste cenário que o conceito de inteligência ambiental ganha força nas discussões empresariais e políticas. Mais do que um termo técnico, ele representa a capacidade de usar dados, tecnologia e automação para reduzir impactos ambientais, otimizar processos e elevar a eficiência industrial. Um movimento global que, cada vez mais, redefine o posicionamento competitivo da indústria brasileira.
Empresas como a ArcelorMittal Brasil — comprometida com neutralidade de carbono até 2050 —, a Electrolux, que investe R$ 700 milhões em uma planta industrial 100% sustentável no Paraná, a Suzano, que valoriza fornecedores com alto desempenho ambiental, e a Tetra Pak Brasil, referência em reciclagem e economia circular, mostram que sustentabilidade deixou de ser uma pauta acessória. Hoje, ela ocupa o centro das decisões estratégicas. Empresas de excelência fazem parte da lista como Natura, Klabin, Boticário. Aliás, a Natura, foi reconhecida como uma das três empresas mais sustentáveis do planeta.
De acordo com a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), os investimentos privados em projetos de sustentabilidade e descarbonização no Brasil chegaram a R$ 48,2 bilhões em 2025, segundo levantamento que acaba de ser divulgado.
“Sustentabilidade fortalece a marca, reduz os custos operacionais e amplia o acesso a financiamentos. Virou fator decisivo de competitividade”, afirma Gino Paulucci Jr, presidente do Conselho de Administração da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos).
Mas a inteligência ambiental não é exclusividade das grandes corporações. Pequenas e médias indústrias também avançam ao adotar monitoramento energético, automação, gestão inteligente de resíduos e uso racional de insumos. São práticas acessíveis, que aumentam a produtividade e conectam as empresas a novas cadeias de valor.
“Num cenário de margens apertadas, transformar eficiência em estratégia define quem segue relevante”, reforça Paulucci Jr. Para que o movimento avance, políticas públicas e linhas de financiamento precisam acompanhar o ritmo da inovação. O futuro da competitividade industrial brasileira dependerá do alinhamento entre tecnologia, produtividade e responsabilidade ambiental.
A discussão ganha ainda mais força após a COP30, realizada em Belém (PA), onde 195 países chegaram a um consenso sobre 29 itens prioritários da agenda climática global.
A Abimaq acompanha de perto essa transição. O setor de máquinas e equipamentos é um dos grandes habilitadores da indústria sustentável, fornecendo automação, sensoriamento, conectividade e manufatura avançada. Tecnologias que pavimentam uma nova era: a da indústria inteligente, limpa e de alta performance. (fonte: Abimaq)