INDÚSTRIA DE CAMINHÕES PESADOS NO BRASIL: DESAFIOS E PERSPECTIVAS DE RECUPERAÇÃO
Gühring
Setor permanece otimista com expectativas de retomada no segundo semestre
A indústria de caminhões pesados no Brasil tem enfrentado um cenário desafiador em 2026, refletido em números de produção e vendas que, apesar de um leve crescimento em fevereiro, ainda apresentam quedas expressivas quando comparados a 2025.
Segundo dados da Anfavea, a produção no primeiro bimestre foi de 14,6 mil unidades, representando uma retração de 27% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando 20 mil caminhões foram fabricados. A recuperação parcial observada em fevereiro, com 7,8 mil unidades produzidas, ainda é insuficiente para mitigar o impacto da crise enfrentada pelo setor, com um recuo de 35% em comparação com o ano passado.
A venda de caminhões pesados, mais afetados pela alta dos custos, registrou uma queda ainda mais acentuada. Nos dois primeiros meses de 2026, foram emplacados apenas 5,5 mil caminhões pesados, 36,3% a menos do que no mesmo período de 2025. Mesmo com a leve recuperação de fevereiro, com 2,8 mil unidades emplacadas, o número ainda é 28,2% inferior ao de fevereiro de 2025.
O programa Move Brasil, lançado com o objetivo de estimular o setor através de crédito subsidiado, ainda não apresentou resultados significativos, uma vez que o processo de contratação de crédito, que já soma R$ 4,2 bilhões, precisa de um tempo de até 12 semanas para refletir no volume de vendas. Apesar disso, o setor permanece otimista, com expectativas de recuperação no segundo semestre de 2026.
Em paralelo, grandes montadoras seguem investindo no Brasil, acreditando na recuperação e no potencial do mercado. A Iveco, por exemplo, anunciou um investimento de R$ 1 bilhão até 2028 em sua fábrica de Sete Lagoas, focado em modernização e desenvolvimento de novos produtos. A Volvo também se comprometeu com R$ 2,5 bilhões para o período de 2026 a 2028, enquanto a Scania planeja aplicar cerca de R$ 2 bilhões até 2028 para a evolução do portfólio sustentável.
A perspectiva de recuperação também é apoiada por investimentos em infraestrutura, agronegócio e e-commerce, setores que demandam constantemente a renovação da frota de caminhões. Vale destacar que, no Brasil, 62% de tudo o que é transportado no país circula pelas rodovias, o que torna a indústria de caminhões essencial para o funcionamento da economia.
Entretanto, o cenário ainda depende de fatores externos como a alta dos juros, as tensões geopolíticas e o custo do diesel, que podem impactar a capacidade de investimento do agronegócio e a demanda por novos veículos. (fonte: Anfavea)