IMPACTOS DA IA NO MERCADO DE TRABALHO
Gühring
60% dos profissionais se sentem entusiasmados, 62% se sentem despreparados
Pesquisas apontam que a inteligência artificial (IA) pode automatizar até 30% das horas de trabalho atuais até 2030, afetando funções que dependem fortemente de tarefas rotineiras, ao mesmo tempo em que cria demanda por novas habilidades e cargos que complementam as ferramentas de IA. Do lado dos trabalhadores, porém, ao mesmo tempo em que 60% dos profissionais se sentem entusiasmados, 62% se sentem despreparados e carecem das habilidades para usar a tecnologia de forma eficaz e segura.
O impacto da inteligência artificial (IA) no mercado de trabalho é um dos temas mais discutidos envolvendo o uso da tecnologia. Em meio a tantas controvérsias, uma coisa é certa: a IA automatiza processos rotineiros, muda funções, cria profissões e ajuda na tomada de decisões. O potencial de aumento de produtividade e, consequentemente, crescimento dos negócios, é gigantesco. Contudo, nada disso vai acontecer se não houver investimento em qualificação e requalificação dos profissionais.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) acaba de realizar uma ampla pesquisa, com os dados mais recentes e um mapeamento de iniciativas. O estudo aponta que à medida que as tecnologias de IA são cada vez mais integradas e aplicadas a vários setores, o desenvolvimento de programas de qualificação profissional direcionados por empresas e instituições governamentais é fundamental para os trabalhadores e organizações se manterem empregáveis e competitivos.
Entre os exemplos mapeados em diferentes países, o Brasil aparece com um case, o do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). A rede de educação profissional do Sistema Indústria tem atuado com IA em pelo menos seis frentes de trabalho: personalização da aprendizagem; criação de conteúdo; análise preditiva de habilidades; eficiência operacional; treinamento de educadores; e parcerias.
Por ser o principal parceiro da indústria na formação de profissionais, o SENAI tem atuado na preparação de gestores, técnicos e estudantes para este novo cenário trazido pela IA. Iniciativas como as do Senai são relevantes em razão dos benefícios potenciais da IA e da velocidade de difusão das novas ferramentas que transformam os perfis profissionais demandados no mercado de trabalho. Dados levantados pelo fórum da OCDE mostram que 65% dos empresários afirmam que suas organizações utilizam regularmente inteligência artificial generativa em pelo menos uma função de negócios.
Na indústria, a IA tem sido utilizada para automatizar processos rotineiros, aprimorar o controle de qualidade e apoiar a tomada de decisão. O monitoramento da produção em tempo real reduz a necessidade de inspeções manuais e melhora a eficiência dos processos.
Além do chão de fábrica, a tecnologia está amplamente difundida na área de recursos humanos das empresas para gestão da força de trabalho, do recrutamento às ações de desenvolvimento. Também há iniciativas mapeadas para melhorar a eficiência das vendas e interação com clientes.
Pelo lado da empresa, a IA pode aumentar a produtividade ao agilizar tarefas rotineiras e realocar recursos humanos para trabalhos mais estratégicos e de maior valor. Pelo lado do trabalhador, os benefícios são a redução da carga de tarefas manuais e repetitivas, que dão espaço para atividades mais criativas, impactantes e satisfatórias, contribuindo para uma maior satisfação no trabalho. Além disso, ao reduzir o trabalho manual, há menos erros e riscos ocupacionais associados a tarefas repetitivas, o que implica na segurança e na saúde do trabalhador.
Para essa maioria dos trabalhadores, que interage com a IA sem precisar de conhecimentos técnicos avançados, o letramento digital geral, o senso de negócios e a inteligência emocional são fundamentais. (Fonte: CNI/Senai)