BNDES IMPULSIONA RENOVAÇÃO DA FROTA DE CAMINHÕES COM R$ 10 BILHÕES
Gühring
Programa visa aquisição de caminhões novos e seminovos para frotistas e caminhoneiros autônomos
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) colocou em prática um dos maiores programas recentes de estímulo ao transporte rodoviário de cargas no país. O programa de Renovação de Frota já aprovou cerca de R$ 3,7 bilhões em recursos, distribuídos por 1.028 municípios brasileiros, o equivalente a 36,8% do orçamento total de R$ 10 bilhões.
Desse montante, R$ 3 bilhões já foram contratados e R$ 1,9 bilhão foi efetivamente desembolsado. O ticket médio das operações é de R$ 1,1 milhão.
Lançado oficialmente em janeiro, o programa — integrado à estratégia Move Brasil — prioriza a aquisição de caminhões nacionais com tecnologia Euro 6 para frotistas e veículos seminovos para caminhoneiros autônomos. As condições incluem taxas de juros entre 11,8% e 12,7% ao ano, prazos de até 60 meses e carência de até seis meses, oferecendo previsibilidade e maior fôlego financeiro ao setor.
A maior parte dos recursos, cerca de R$ 3,6 bilhões, foi destinada à compra de caminhões novos por empresas transportadoras, enquanto R$ 90 milhões atenderam caminhoneiros autônomos.
O modal rodoviário representa aproximadamente 68% da matriz de transporte brasileira, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT). No entanto, a idade média da frota ainda é um desafio: dos 1,3 milhão de caminhões em circulação no país, 55% têm mais de 14 anos.
A substituição por veículos fabricados a partir de 2022 pode reduzir em até 95,4% as emissões de gases poluentes, além de aumentar a eficiência operacional e a segurança viária.
Estudos da CNT indicam que a renovação dos 152 mil veículos fabricados antes de 1989 demandaria investimentos estimados em R$ 104,8 bilhões. Esse valor poderia chegar a R$ 230,2 bilhões caso sejam incluídos caminhões produzidos até 1999. Nesse contexto, o programa do BNDES surge como um catalisador inicial para estimular novos investimentos e restaurar a confiança na cadeia de transporte.
Após um período de retração nas vendas — impulsionado por taxas de financiamento que chegaram a 22% ao ano — a iniciativa pode acelerar a renovação da frota, dinamizar o mercado de seminovos e fortalecer toda a cadeia produtiva ligada ao setor de veículos pesados. (fonte: CNT)