ACORDO MERCOSUL-UE: UM MARCO ESTRATÉGICO PARA A INDÚSTRIA BRASILEIRA
Gühring
A decisão comercial cria um ambiente favorável à ampliação dos investimentos europeus no Brasil
Assinado na segunda quinzena de janeiro, em Assunção (Paraguai), o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia marca um dos movimentos comerciais mais relevantes das últimas décadas. Após mais de 25 anos de negociações, o tratado cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas (450 milhões na Europa e 270 milhões na América do Sul) e um PIB combinado de aproximadamente US$ 22 trilhões, o equivalente a cerca de 25% do PIB global.
Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), trata-se da decisão comercial mais importante para a indústria brasileira em décadas. “É um tratado maduro, equilibrado e amplamente negociado, que prevê parceria estratégica e impactos comprovados sobre emprego, renda e produção”, afirma o presidente da entidade, Ricardo Alban.
Os dados reforçam essa importância. Em 2024, a cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil para a União Europeia foram gerados 21,8 mil empregos, movimentados R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção. No mesmo período, a UE foi destino de US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras (14,3% do total) e respondeu por US$ 47,2 bilhões das importações do país (17,9%).
Um levantamento da CNI mostra que os acordos comerciais do Brasil hoje cobrem apenas 8% das importações mundiais de bens. Com a entrada em vigor do acordo Mercosul–UE, esse percentual pode saltar para 36%, ampliando de forma significativa a inserção internacional da indústria brasileira.
Na prática, o tratado garante ampla abertura imediata do mercado europeu: 82,7% das exportações brasileiras para a UE passarão a entrar no bloco sem tarifa desde o início da vigência. Já a abertura do mercado brasileiro será mais gradual, com prazos de até 15 anos para a redução de tarifas, assegurando previsibilidade e tempo de adaptação à indústria nacional.
Além do comércio, o acordo cria um ambiente favorável à ampliação dos investimentos europeus no Brasil, com potencial para impulsionar a modernização do parque industrial. A União Europeia já é o principal investidor estrangeiro no país, respondendo por 31,6% do estoque de investimento produtivo.
Mais do que ampliar mercados, o acordo Mercosul–UE representa uma virada estratégica para a indústria brasileira, ao aumentar a previsibilidade regulatória, estimular investimentos e criar condições mais competitivas para crescer e inovar no cenário global. (fonte: CNI)