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BRASIL MAIS ABERTO ACRESCENTARIA 1,25 PONTO NO PIB

08/07/2014

E a indústria poderia responder com mais rapidez.

Segundo estudos McKinsey, uma das maiores consultorias empresariais do mundo, o Brasil anda dando as costas para o mundo - e ganharia muito se o encarasse. Com quase 100 páginas, a pesquisa intitulada “Conectando o Brasil ao mundo: um caminho para o crescimento inclusivo” mostra as deficiências do país para concorrer internacionalmente e sinaliza medidas para que ele se torne mais aberto, produtivo e competitivo.

Pesquisas feitas nos últimos 20 anos pelo Instituto Global McKinsey identificaram que países dedicados a ampliar as conexões em escala global registram acréscimo de até 40% na geração de riqueza. Isso ocorre porque a concorrência internacional criada pela abertura gera choques de gestão, de inovações e um consequente quadro geral de modernização que eleva a produtividade.

No caso do Brasil, pelas estimativas da instituição, uma maior abertura - não apenas comercial, mas também por meio do intercâmbio financeiro, de prestação de serviços e até de talentos humanos - elevaria a produtividade e acrescentaria anualmente 1,25 ponto percentual ao Produto Interno Bruto (PIB). “A abertura pode fazer uma grande diferença para a economia e nós temos visto mudanças significativas em períodos de três a cinco anos, porque as indústrias podem responder com muita rapidez”, diz Jaana Remes, do Instituto Global McKinsey.

Desde os anos 1990, o Brasil fez movimentos para se tornar mais aberto, mas segundo o estudo as reformas têm sido irregulares. Enquanto alguns setores ficam totalmente expostos à concorrência internacional, outros permanecem fortemente protegidos e tributados. Para ilustrar os efeitos de ser mais ou menos fechado, o estudo recorre à análise de dois setores de peso na economia nacional - o agronegócio, que se tornou campeão global em competitividade após a abertura nos anos 1990, e o setor automotivo, um dos mais blindados contra a concorrência internacional e que, apesar de composto por multinacionais, apresenta deficiências.

As falhas e o potencial do país ficam claras quando se olha o Índice de Conexão Global, elaborado pelo Instituto Global McKinsey. O ranking mede o nível de conexão de 131 países - praticamente metade das nações existentes. O Brasil ocupa a 43ª posição. Não parece ruim à primeira vista, mas o país está abaixo de emergentes com níveis similares de desenvolvimento, como Rússia (9ª), China (25ª), México (27ª), Índia (30ª) e Chile (41ª).

No quesito que trata de trocas comerciais (importação e exportação), o Brasil está na posição 39. Em serviços, está na 40ª posição. As exportações de serviços representam apenas 1,8% do PIB do Brasil - abaixo da média latino-americana (4,1%) e muito longe da indiana (8%). Em comunicação, que valoriza a troca de dados entre pessoas, empresas e governos, o país está em 38º lugar. O Brasil tem um desempenho melhor num único item - o intercâmbio de serviços financeiros, que inclui atividades bancárias, captações no exterior, investimentos de fundos e operações em bolsa de valores. Nesse caso, estamos em 15º lugar. (Fonte: “O Estado de SP”)