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Dificuldades para se inovar no Brasil

03/07/2018

Economia fechada e alto índice de proteção são alguns dos entraves

A inovação no Brasil enfrenta diversos entraves. Economia protegida e fechada, burocracia excessiva, baixa internacionalização de empresas e de universidades e pouco interesse do setor privado em inovar estão entre os principais problemas. Essa é a conclusão da economista Fernanda De Negri, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), no livro Novos Caminhos para a inovação no Brasil, lançado em junho último no auditório da Fapesp.

Para José Goldemberg, presidente da Fapesp, as multinacionais que atuam no Brasil poderiam ou deveriam se abrir mais para a colaboração com grupos de pesquisa brasileiros. “Esse debate é uma excelente oportunidade para discutir inovação no Brasil e qual o papel que empresas multinacionais podem representar nesse desenvolvimento”, disse o físico.

No livro, De Negri traz uma sistematização de todos os fatores que afetam a inovação e muitos dos quais, ela afirma, não são consenso entre especialistas em inovação. Ela explica que existem três fatores principais – pessoas, infraestrutura e o ambiente – para a inovação. Todos os três são influenciados pelas políticas públicas, formando um ecossistema propício ou não para a inovação.

O livro mostra que, apesar de haver avanços importantes no país, ainda falta muito no ecossistema brasileiro de inovação. Seja nos três fatores principais, seja nas políticas públicas, é difícil inovar no Brasil.

Um dos destaques entre os entraves da inovação brasileira está na economia fechada e com alto índice de proteção. “Isso limita a inovação. O motor para uma empresa inovar é ter um competidor para roubar o seu mercado. Ninguém gosta de ouvir isso, mas o Brasil está sempre nas últimas posições de ambiente de negócio”, ressaltou De Negri.

No livro, a economista afirma que a burocracia excessiva e um ambiente de negócios pouco dinâmico dificultam que os novos conhecimentos produzidos nas universidades se transformem em novos produtos.

“Um ambiente econômico estimulante e competitivo tende a impelir as empresas a inovar e a buscar o conhecimento produzido pela universidade”, disse. A economista destaca também que, além de financiar pesquisa e a produção de conhecimento científico nas universidades, cabe ao Estado desenvolver políticas que proporcionem a inovação nas empresas. (fonte: Fapesp)